terça-feira, 1 de novembro de 2016

Maconha medicinal em nossa vidas.

Faz algum tempo que fomos apresentados ao canabidiol, maconha medicinal ou cannabis medicinal, como ficar mais confortável para você. Acho justo relatar a melhora do Guilherme ao longo desses meses de uso. Antes de optar por maconha medicinal tínhamos feito algumas associações medicamentosas, Guilherme tem Encefalopatia crônica não progressiva (Paralisia cerebral) e epilepsia refratária, tem hemiplegia do lado direito e já fez uso de gadenal, fenitoína, vigabatrina, dekakene, topiramato, benzoadiazepinicos, cabamazepina todos sem uma melhora significativa, no inicio do tratamento diminuíam as crises e logo começavam a piorar outra vez, talvez por isso que tenha demorado tanto a escrever sobre a maconha medicinal pois eu tinha medo que não fizesse o efeito desejado. Fomos apresentados a esse tratamento há uns dois anos, e confesso que no inicio foi difícil aceitar que algo que eu cresci ouvindo que fazia mal, que era para eu ficar longe poderia auxiliar na qualidade de vida do meu filho. Pois bem, começamos o uso com extrato artesanal* já nos primeiros dias percebi melhoras, efeito colateral se resumiu em mais sono. Passamos para o hemp  oil (RSHO), nesse não tivemos uma melhora significativa comparado as outras crianças que faziam uso, efeitos colaterais mais sono e aumento da salivação. Depois de algum tempo passamos para o revivid também não fomos felizes, efeitos colaterais mais sono e aumento da salivação. Chegamos então ao Aphotecary, o que estamos até hoje, tivemos melhora significativa das crises, e nenhum efeito colateral.  Por que escrevo que passamos por diferentes remédios? Porque cada corpo é um, tem suas especificidades e às vezes um composto que dá certo para um não dará certo para outro, não temos uma receita quando se fala de epilepsia, mas sim tentativas com erros e acertos. Eu não queria desistir antes de tentar todos os compostos que existiam, e foi o que eu fiz, e acabamos achando um que nos auxiliou, é duro ver tanta gente melhorando e para você parece que não vai vir, mas sem desistir veio.
Antes da cannabis ele tinha uma media de 550 ou mais espasmos por madrugada, pois depois que a Síndrome de West foi embora, ficamos com epilepsia refratária com crises no despertar do sono REM, ao longo do uso, mesmo modificando as apresentações, diminuíram muito o número de crises. 
Hoje ele tem uma média de 50 a 60 espasmos por semana. Tivemos uma melhora significativa na fala, na autonomia e faz de mais de 14 meses que não tem infecções, logo não toma antibióticos. Atribuo essas melhoras a diminuição das crises e as propriedades da planta. Ele hoje faz uso de Kepra (levetiracetam)+ Cannabis  e está tá desmamando do depakote e topiramato. Posso dizer que depois de 6 anos de lutas, sofrimentos e conquistas estamos vivenciando uma qualidade de vida que por alguns momentos eu achei que não teríamos. A maconha trouxe qualidade de vida para meu filho, para minha mãe, para minha filha e para mim, que estou terminando minha graduação no tempo certo, quantos trabalhos de faculdade fiz a beira da cama do Guilherme no hospital,  quantos trabalhos em grupo fiz sozinha porque não podia me comprometer com outras pessoas e não conseguir fazer minha parte, hoje eu durmo praticamente a noite toda, minha mãe e filha também, podemos sair ter vida social. O Guilherme está cada dia melhor, e tudo isso devemos, boa parte, agradecimentos a essa planta linda! Que sigamos em frente, pois mais conquistas estão por vir. 

- Eu conto espasmos, cada “tranco” que ele dá na crise, opção minha. 

Um comentário:

  1. Palavras de elogios seriam pouco perto deste sonho realizado,eu como mãe de um menino com síndrome de Down ,seu reconhecer os esforços e sofrimento que passamos e fico maravilhada com a sua postura diante de um fato "maconha"que ainda é um tabu em questões de tratamento medicinal parabéns e obrigado por compartilhar a sua luta sua experiência e vitória.

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